terça-feira, 12 de abril de 2011

A comuna de Paris 140

A Comuna de Paris foi há 140 anos!
(de 18 de Março a 28 de Maio de 1871)!

Uma canção de Pottier, "Elle n'est pas morte". Interpretação de Germaine Montero.


Ela não canta a letra toda...

On l'a tuée à coups de Chassepot
A coups de mitrailleuse
Et roulée avec son drapeau
Dans la terre argileuse
Et la tourbe des bourreaux gras
Se croyait la plus forte

{Refrain, x2}
Tout ça n'empêche pas, Nicolas,
Qu' la Commune n'est pas morte !

Comme faucheurs rasant un pré
Comme on abat des pommes
Les Versaillais ont massacré
Pour le moins cent mille hommes
Et les cent mille assassinats
Voyez ce que ça rapporte

{au Refrain, x2}

On a bien fusillé Varlin,
Flourens, Duval, Millière,
Ferré, Rigault, Tony Moilin,
Gavé le cimetière.
On croyait lui couper les bras
Et lui vider l'aorte

{au Refrain, x2}

Ils ont fait acte de bandits
Comptant sur le silence
Achevé les blessés dans leur lit
Dans leur lit d'ambulance
Et le sang inondant les draps
Ruisselait sous la porte

{au Refrain, x2}

Les journalistes policiers
Marchands de calomnies
Ont répandu sur nos charniers
Leurs flots d'ignominie
Les Maxime Ducamp, les Dumas
Ont vomi leur eau-forte

{au Refrain, x2}

C'est la hache de Damoclès
Qui plane sur leurs têtes
A l'enterrement de Vallès
Ils en étaient tout bêtes
Fait est qu'on était un fier tas
A lui servir d'escorte

{x2:}
C'qui prouve en tous cas, Nicolas,
Qu' la Commune n'est pas morte !

Bref, tout ça prouve au combattant
Qu' Marianne a la peau brune
Du chien dans l'ventre et qu'il est temps
D'crier "Vive la Commune !"
Et ça prouve à tous les Judas
Qu' si ça marche de la sorte

{x2:}
Ils sentiront dans peu, nom de Dieu,
Qu'la Commune n'est pas morte !

um passarinho do Seixal lembrou-me esta canção



A música é de José Niza.
O poema é de António Gedeão:

Fala do Homem Nascido

Venho da terra assombrada,
Do ventre de minha mãe;
Não pretendo roubar nada
Nem fazer mal a ninguém.

Só quero o que me é devido
Por me trazerem aqui,
Que eu nem sequer fui ouvido
No acto de que nasci.

Trago boca para comer
E olhos para desejar.
Tenho pressa de viver,
Que a vida é água a correr.
Venho do fundo do tempo;
Não tenho tempo a perder.

Minha barca aparelhada
Solta o pano rumo ao norte;
Meu desejo é passaporte
Para a fronteira fechada.
Não há ventos que não prestem
Nem marés que não convenham,
Nem forças que me molestem,
Correntes que me detenham.

Quero eu e a Natureza,
Que a Natureza sou eu,
E as forças da Natureza
Nunca ninguém as venceu.

Com licença! Com licença!
Que a barca se fez ao mar.
Não há poder que me vença.
Mesmo morto hei-de passar.
Com licença! Com licença!
Com rumo à estrela polar.

terça-feira, 5 de abril de 2011

com liberdade para sermos felizes

Bonga, aliás José Adelino Barceló de Carvalho, nasceu em Angola em 1942. Foi perseguido pela PIDE pelas suas posições e canções contra o colonialismo. Esteve exilado na Holanda. Foi também um grande campeão de atletismo (100, 200, 400 metros).
Para uma parte da sua história, ler aqui: http://pt.wikipedia.org/wiki/Bonga

Uma canção do seu álbum "Angola 1972", proibido em Portugal.


E Mariquinha, um dos seus maiores êxitos, onde se canta "com liberdade para sermos felizes"

quinta-feira, 17 de março de 2011

Ils ont peur de la liberté/They are afraid of freedom/Eles têm medo da liberdade

Keny Arkana, rapper de origem argentina, nasceu em 1982 em Marselha. Começou aos 14 anos a rappar para os amigos. Lançou o primeiro disco em 2004. Entretanto criou o grupo La Rage du Peuple.
Mais informações no site dela: http://www.keny-arkana.com/
Uma canção de 2006, do álbum "Entre ciment et belle étoile":

domingo, 6 de março de 2011

which side are you on?

De que lado estás?
A canção original é de Florence Reece.
Da wikipedia:
Florence Reece (née Patton; b. April 12, 1900, d. August 3, 1986) was an American social activist, poet, and folksong writer. Born in Sharps Chapel, Tennessee the daughter and wife of coal miners, she is best known for the song, "Which Side Are You On?" written in 1931 during a strike by the United Mine Workers of America in which her husband, Sam Reece, was an organizer.
Pete Seeger, collecting labor union songs, learned "Which Side Are You On" in 1940. The following year, it was recorded by the Almanac Singers in a version that gained a wide audience. More recently, Billy Bragg, Dropkick Murphys, and Natalie Merchant each recorded their own interpretations of the song.
Alan Lomax, writing in the American Folk Song Book (1968), says "Florence Reece, a shy, towheaded Kentucky miner's daughter, composed this song at the age of 12 when her father was out on strike. She sang it me standing in front of the primitive hearth of a log cabin in the backwoods of Kentucky in 1937 and it has since become a national union song." (...)

Note-se que o artigo da wikipedia conta duas versões diferentes relativamente à origem da canção.



Come all of you poor workers,
Good news to you I’ll tell,
Of how that good old union
Has come in here to dwell.

Which side are you on?
Which side are you on?
Which side are you on?
Which side are you on?

My daddy was a miner,
And I’m a miner’s son,
And I’ll stick with the union,
Till every battle’s won.

They say in Harlan County,
There are no neutrals there.
You’ll either be a union man,
Or a thug for J.H. Blair.

Oh, workers can you stand it?
Oh, tell me how you can.
Will you be a lousy scab,
Or will you be a man ?

Don’t scab for the bosses,
Don’t listen to their lies.
Us poor folks haven’t got a chance,
Unless we organize.

Joe Hill

A verdadeira história de Joe Hill, por Billy Bragg

meninas venenosas

Canção pró-escolha (e algo mais do que isso) da banda Poison Girls:

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

52 cordas

Composição de Penderecki de 1960 para 52 cordas, dedicada às vítimas de Hiroshima para, segundo o compositor, "expressar a minha crença profunda que o sacrifício de Hiroshima nunca será esquecido ou perdido".

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

freedom/justice/equality

Freedom, justice, equality... mas aqui é uma exigência tão suave...
Quem é este Al Campbell?
Vamos procurar.

To hear your banjo play

Excelente filme sobre o banjo, em duas partes:

sábado, 19 de fevereiro de 2011

contra o despertador e a política do desemprego

Uma das primeiras canções dos Censurados, "É difícil". A letra nem sequer é muito imaginativa. Mas no punk rock, isto compensa-se com atitude, ir directo ao assunto, e um bom refrão.

(foi a que encontrei com melhor som)

Toca o despertador
Vestes-te a pressa
Mal tens tempo para comer
Fazes tudo tão depressa
Não tens tempo a perder

Nem tempo para sorrir
Sais de casa a correr
Tens um horário a cumprir
Os minutos passam
E hoje estás sem sorte
Cada vez mais atrasado
À espera de transporte

É difícil é difícil
Conseguir estar empregado
Mais difícil mas difícil
É ter um bom ordenado

O autocarro chega
E lutas para entrar
Mas é tanta a confusão
Que nem um passo podes mostrar
Seguras na tua mala com um ar desconfiado
Empurras para frente para arranjar um lugar sentado
Pisa o de trás, esbarras no da frente
Ficas irritado discutes com toda a gente

É difícil é difícil
Conseguir estar empregado
Mais difícil mas difícil
É ter um bom ordenado

Chegas atrasado mais um desconto no ordenado
Ficas um pouco...
Sentes-te arrasado
Como senão bastasse o teu patrão não te pagava
Tu não passas de mais um belo desempregado

A nossa patria é o mundo inteiro

Canção de Pietro Gori de 1895
Pietro Gori (14 Agosto de 1865 - 8 Janeiro 1911) foi um advogado, jornalista, intelectual e poeta anarquista italiano.


O profughi d’Italia
a la ventura
si va senza rimpianti
né paura

Nostra patria è il mondo intero
e nostra legge è la libertà
ed un pensiero
ed un pensiero
Nostra patria è il mondo intero
e nostra legge è la libertà
ed un pensiero
ribelle in cor ci sta.

Dei miseri le turbe
sollevando
fummo da ogni nazione
messi al bando
Nostra patria è il mondo intero
e nostra legge è la libertà
ed un pensiero
ed un pensiero

Nostra patria è il mondo intero
e nostra legge è la libertà
ed un pensiero
ribelle in cor ci sta

Dovunque uno sfruttato
si ribelli
noi troveremo schiere
di fratelli

Nostra patria è il mondo intero
e nostra legge è la libertà
ed un pensiero
ed un pensiero
Nostra patria è il mondo intero
e nostra legge è la libertà
ed un pensiero
ribelle in cor ci sta

Raminghi per le terre
e per i mari
per un’Idea lasciammo
i nostri cari

Nostra patria è il mondo intero
e nostra legge è la libertà
ed un pensiero
ed un pensiero
Nostra patria è il mondo intero
e nostra legge è la libertà
ed un pensiero
ribelle in cor ci sta

Passiam di plebi varie
tra i dolori
de la nazione umana
i precursori

Nostra patria è il mondo intero
e nostra legge è la libertà
ed un pensiero
ed un pensiero
Nostra patria è il mondo intero
e nostra legge è la libertà
ed un pensiero
ribelle in cor ci sta

Ma torneranno Italia
i tuoi proscritti
ad agitar la face
dei diritti

Nostra patria è il mondo intero
e nostra legge è la libertà
ed un pensiero
ed un pensiero
Nostra patria è il mondo intero
e nostra legge è la libertà
ed un pensiero
ribelle in cor ci sta

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

El miedo global

O texto que serve de base à canção é de Eduardo Galeano. A música é da Gran Orquesta Republicana, do álbum Abrazos, de 2004.

"Los que trabajan tienen miedo de perder el trabajo.
Los que no trabajan tienen miedo de no encontrar nunca trabajo.
Quien no tiene miedo al hambre, tiene miedo a la comida.
Los automovilistas tienen miedo a caminar
y los peatones tienen miedo de ser atropellados.
La democracia tiene miedo de recordar y el lenguaje tiene miedo de decir.
Los civiles tienen miedo a los militares,
los militares tienen miedo a la falta de armas,
las armas tienen miedo a la falta de guerras.
Es el tiempo del miedo.
Miedo de la mujer a la violencia del hombre
y miedo del hombre a la mujer sin miedo.
Miedo a los ladrones, miedo a la policía.
Miedo a la puerta sin cerradura,
al tiempo sin relojes, al niño sin televisión.
Miedo a la noche sin pastillas para dormir
y miedo al día sin pastillas para despertar.
Miedo a la multitud, miedo a la soledad,
miedo a lo que fue y a lo que puede ser,
miedo de morir, miedo de vivir....."

C'est dans la rue que ça se passe

Canção da companhia Jolie Môme (França), usada por vários movimentos e organizações de esquerda, desde que foi inventada para o 1 de Maio de 2009. Música-slogan pop para intervenção directa e defesa da luta de rua. Neste caso apenas a acompanhar fotografias, um vídeo da CNT francesa. Foi o que encontrámos com melhor som.



também usada este ano em solidariedade com a revolução tunisina...

directamente da praça Tahrir

canção cantada na praça Tahrir:

Rap da Tunísia pela revolução x2



mais canções para a revolução egípcia, de várias partes do mundo...



canções para o Egipto...





...e uma francesa para a Tunísia

Freedom now!

Max Roach, Abbey Lincoln, Coleman Hawkins e Olatunji gravaram em 1960 o disco We insist!- Freedom Now, manifesto do novo jazz ao lado da luta pela liberdade e a igualdade.

Aqui uma actuação filmada de Freedom Day.


e aqui, do disco, este magnífico Prayer/Protest/Peace:

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

A vida é curta

De uma grande cantora, Abbey Lincoln. E grande ainda. A versão é de 2007, mas a canção é bastante anterior.



I think about the life I live
A figure made of clay
And think about the things I lost
The things I gave away

And when I'm in a certain mood
I search the house and look
One night I found these magic words
In a magic book

Throw it away
Throw it away
Give your love, live your life
Each and every day

And keep your hand wide open
Let the sun shine through
'Cause you can never lose a thing
If it belongs to you

There's a hand to rock the cradle
And a hand to help us stand
With a gentle kind of motion
As it moves across the land

And the hand's unclenched and open
Gifts of life and love it brings
So keep your hand wide open
If you're needing anything

Throw it away
Throw it away
Give your love, live your life
Each and every day

And keep your hand wide open
Let the sun shine through
'Cause you can never lose a thing
If it belongs to you

Throw it away
Throw it away
Give your love, live your life
Each and every day

And keep your hand wide open
Let the sun shine through
'Cause you can never lose a thing
If it belongs to you

'Cause you can never lose a thing
If it belongs to you
You can never ever lose a thing
If it belongs to you

You can never ever lose a thing
If it belongs to you
You can never ever lose a thing
If it belongs to you

Uma política da amizade

Este dueto de Archie Sheep com Abdulah Ibrahim (sax e piano) contém uma política da amizade. Amizade é coisa feita de desentendimentos e desalegrias mas também de constância e profunda cumplicidade. E aqui? Está em causa o agir livre, mas também a independência. A amizade é o oposto da identidade. Afortunadamente.

Para lá da canção

Mas se procuramos pela música militante francesa, temos de deparar com o percurso singular da cantora e compositora Colette Magny (1926-1997), que viajou por muitos géneros e abandonou a canção em favor de outra música, difícil de designar, mas só possível graças ao blues, à música improvisada e ao jazz negro mais politizado dos anos 60.
Eis um exemplo de um tema dessa época, do extraordinário disco "Repression". Magnyfico.

dói-me a França

Valota e Myra é um duo francês que merece atenção. Aqui fica o título mais provocador e político, à primeira vista - chama-se "J'ai mal a la France". O site deles é

http://www.valotamyra.com/

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

a segunda cançarta

Uma canção-carta (ou seja, uma cançarta) anti-militarista famosa, dirigida a "monsieur le président": "Le déserteur", de Boris Vian. Em questão estava a guerra da Argélia.



Monsieur le Président
Je vous fais une lettre
Que vous lirez peut-être
Si vous avez le temps
Je viens de recevoir
Mes papiers militaires
Pour partir à la guerre
Avant mercredi soir
Monsieur le Président
Je ne veux pas la faire
Je ne suis pas sur terre
Pour tuer des pauvres gens
C'est pas pour vous fâcher
Il faut que je vous dise
Ma décision est prise
Je m'en vais déserter

Depuis que je suis né
J'ai vu mourir mon père
J'ai vu partir mes frères
Et pleurer mes enfants
Ma mère a tant souffert
Elle est dedans sa tombe
Et se moque des bombes
Et se moque des vers
Quand j'étais prisonnier
On m'a volé ma femme
On m'a volé mon âme
Et tout mon cher passé
Demain de bon matin
Je fermerai ma porte
Au nez des années mortes
J'irai sur les chemins

Je mendierai ma vie
Sur les routes de France
De Bretagne en Provence
Et je dirai aux gens:
Refusez d'obéir
Refusez de la faire
N'allez pas à la guerre
Refusez de partir
S'il faut donner son sang
Allez donner le vôtre
Vous êtes bon apôtre
Monsieur le Président
Si vous me poursuivez
Prévenez vos gendarmes
Que je n'aurai pas d'armes
Et qu'ils pourront tirer

a primeira carta

A carta é umas das formas que a canção muito adoptou. E a canção política fez bom uso dela. Porque a carta testemunha o presente. Porque a carta é datada, com indicação de lugar de origem. A forma-carta revela a escrita, põe o texto à mostra. E a carta relata e toma posição, num tom aparentemente neutro. Fá-lo com fórmulas como "meu caro", que distanciam, obrigam à reflexão, contrastam e realçam o relato de como se está "por aqui".
O primeiro filme é um trabalho interessante de estudantes. Pena a música estar cortada no fim. Há uma aceleração final que é muito importante, para além de ser uma bela desbunda musical, com um fino humor. Segue um segundo vídeo com a versão completa, mas ao vivo, com chico, francis hime e outros a tocar juntos numa sessão.