segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Sem Woody Guthrie não éramos os mesmos

Woody Guthrie nasceu em 1912, há quase 100 anos.
Foi com uma fotografia dele que começámos este blogue,

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Une chanson de L'Atalante de Jean Vigo

pourquoi? je ne sais pas

Hoje a nossa tampa vai saltar

Uma boa letra sobre e contra a situação... destes simpáticos Diabo a Sete.
Esta banda portuguesa tem dois discos editados até ao momento (Parainfernália, de 2007, e TarAra de 2011)

Dez cabelos penteados / Não pagam imposto / A luva está mais barata / Do que o fogo posto / Sabe bem pagar tão pouco / O segredo é total / Tens na ilha uma morada / Virtual / No Paraíso Fiscal / O silêncio é d’ouro / As mobílias são de prata / E os jardins de couro / Anjos, deuses, capitais / Filhos de alguém especial / Somar zeros à direita / Não faz mal / No Paraíso Fiscal / A justiça é cega / A...s fronteiras apagadas / E o tempo escorrega / Sabe bem pagar tão pouco / O segredo é total / Tens na ilha uma morada / Virtual / Guarda rico o teu roubo / Franca liberdade / Virar isto do avesso / Seria maldade / Somos sombras invisíveis / Sem gravata p’ra apertar / Mas hoje a nossa tampa / Vai saltar

mais um samba do operário

Angenor de Oliveira, mais conhecido como Cartola, (Rio de Janeiro, 11 de outubro de 1908 — Rio de Janeiro, 30 de novembro de 1980) foi um cantor, compositor e violinista brasileiro.

samba da mais-valia

Já não é nova, mas é divertida...

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

já não dá (saímos para a rua)

Um tema de Chullage. Para os dias que correm e a luta a fazer.

já não dá (saímos para a rua) by beatweenus

Já não dá (saímos para a rua) - beat de brainkilla, co-produção dB e Hugo Alves. contem um sample de "Assim como quem nasce" - escrito por Paulo de Carvalho interpretado por Luisa Basto. Contem um sample de Eh companheiro de José Mário Branco. Artwork de Vhils.

Letra:
só cartas com contas
que já passaram o prazo
ainda não fiz compras do mês
e o puto não percebe o atraso
o telefone sempre a tocar
é a divida do automóvel
a sala esta vazia, já desisti do sofá e do móvel
um filho pra alimentar
e outro na barriga já se mexe
o seguro do carro esta a chegar
e este mês nem paguei a creche
já cortei com o café
vou cortar com os nits
agarrado a jornais
a meter curriculos em sites
só pra voltar a ouvir
que a vaga já foi preenchida
levar as mãos à cabeça
pensar pôr termo á vida
já pondero imigrar
pra França ou Angola
ou flashar entrar num banco
e aponta-los uma pistola
tornou-se um luxo ir jantar
levar a dama ao cinema
só falo por sms grátis
tornou-se luxo um telefonema
e a quem recorrer
se os bros tão todos na mema
pragados na rua
à procura de algum esquema

só vejo casas com placas
de leilão ou de venda
e a minha vai pelo mesmo andar
que eu já não aguento esta renda
e governo não dá as famlias
mas dá aos bancos bué pinlin
mais tarde ou mais cedo
dás com um broda a dormir
no banco dum jardim
e querem que um gajo mendigue
pela merda dum subsidio
parado na segurança social
onde o funcionário agride-o
e de repente
o povo ta perder o raciocínio
e admiram o aumento
de assaltos e assassinios
o pior é que nós e que sofremos
com os assaltos e assassinios
que esses filhos da puta estão protegidos
escondidos nos seus condominios
os verdadeiros assaltantes
entram no banco na maior
e saem com as maos no bolso do fato
e o dinheiro desviado pra um off-shore
não é atoa que estão a construir
mais cadeias
não é atoa que reforçam policias
pra nos matar à tareia
é que isto já esteve muito marado
mas isto nunca esteve assim
o people esta revoltado
eles têm medo dum motim

endividei-me pra pagar
propinas e um certificado
ter uma licenciatura
pra ficar desempregado
ou acabar num call center
ou caixa de supermercado
a trabalhar a recibos verdes
com 500 euros de ordenado
e no meio disto tudo
ainda sou privilegiado
porque a maioria do meu peoples
ta no muro encostado
quem estava em espanha voltou
acabou o el dorado
e arranjar um visto pra Angola
ta a ficar complicado
foderam esta merda toda
e é sempre e o povo é sacrificado
no proximo 25 de Abril
quero ver alguem enforcado
eles choram pelas acções
perdidas no PSI 20
meu people aqui chora
pela refeição seguinte
e mostram-nos pessoas
na porta do BPP a reclamar
meu peoples já fazem fila
na porta do banco alimentar
já não voto, porque o voto
não dá voto na matéria
politica pedrdeu a seriedade
e duvido que recupere-a

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Disseram-me "resigna-te", mas eu não pude e peguei outra vez na minha arma

Outra canção de resistência da Marly, agora pela própria



Les ennemies étaient chez moi
On m'a dit: "Résigne-toi",
Mais je n'ai pas pu.
Et j'ai repris mon arme.

Personne ne m'a demandé
D'ou je viens et où je vais
Vous qui le savez,
Effacez mon passage.

J'ai changé cent fois de nom
J'ai perdu femme et enfant
Mais j'ai tant d'amis
Et j'ai la France entière.

Un vieil homme dans un grenier
Pour la nuit nous a cachés
Les All'mands l'ont pris
Il est mort sans surprise

Hier encore nous étions trois
Il ne reste plus que moi
Et je tourne en rond
Dans la prison des frontières

Le vent souffle sur les tombes
Et la liberté reviendra
On nous oubliera!
Nous rentrerons dans l'ombre.

resistência, outra vez...

a canção de Anna Marly, aqui numa versão de Yves Montand


Ami, entends-tu le vol noir des corbeaux sur nos plaines ?
Ami, entends-tu les cris sourds du pays qu'on enchaîne ?
Ohé partisans, ouvriers et paysans, c'est l'alarme !
Ce soir l'ennemi connaîtra le prix du sang et des larmes.
Montez de la mine, descendez des collines, camarades,
Sortez de la paille les fusils, la mitraille, les grenades ;
Ohé les tueurs, à la balle et au couteau tuez vite !
Ohé saboteur, attention à ton fardeau, dynamite ...
C'est nous qui brisons les barreaux des prisons, pour nos frères,
La haine à nos trousses, et la faim qui nous pousse, la misère.
Il y a des pays où les gens au creux des lits font des rêves
Ici, nous, vois-tu, nous on marche et nous on tue, nous on crève.
Ici chacun sait ce qu'il veut, ce qu'il fait, quand il passe ;
Ami, si tu tombes, un ami sort de l'ombre à ta place.
Demain du sang noir séchera au grand soleil sur les routes,
Chantez, compagnons, dans la nuit la liberté nous écoute.
Ami, entends-tu les cris sourds du pays qu'on enchaîne ?
Ami, entends-tu le vol noir des corbeaux sur nos plaines ?
Oh oh oh oh oh oh oh oh oh oh oh oh oh oh...

Há um fogo enorme no jardim da guerra



Há um fogo enorme no jardim da guerra
E os homens semeiam fagulhas na terra
Os homens passeiam co´os pés no carvão
que os deuses acendem luzindo um tição

Pra apagar o fogo vêm embaixadores
trazendo no peito água e extintores
Extinguem as vidas dos que caiem na rede
e dão água aos mortos que já não têm sede

Ao circo da guerra chegam piromagos
abrem grande a boca quando são bem pagos
soltam labaredas pela boca cariada
fogo que não arde nem queima nem nada

Senhores importantes fazem piqueniques
churrascam o frango no ardor dos despiques
Engolem sangria dos sangues fanados
E enxugam os beiços na pele dos queimados

É guerra de trapos no pulmão que cessa
do óleo cansado que arde depressa
Os homens maciços cavam-se por dentro
e o fogo penetra, vai directo ao centro

Estou farto disto

Sarcasmos do cantor e compositor alemão Wolf Biermann, ao vivo em Colónia em 1976

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

I don't mind failing in this world

Uma das grandes cantoras-escritoras-lutadoras do século passado.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

quarta-feira, 20 de julho de 2011

George censuré Brassens

Vendredi 27 mai, un gars de Rennes a été condamné à 40 h de TIG et 200 euros d'amende pour avoir chanté Hécatombe, la chanson de Brassens ci-dessous, du haut de son balcon. Hélas, trois bleus passaient en dessous.
(du blogue "cultivons l'alternative")

Eis a canção que a França não deixa cantar.
Voltam as censuras, as normas de conduta e as proibições. Para manter o "bom nome" das sagradas instituições.



quarta-feira, 15 de junho de 2011

yo no canto por cantar



Yo no canto por cantar
ni por tener buena voz
canto porque la guitarra
tiene sentido y razon,
tiene corazon de tierra
y alas de palomita,
es como el agua bendita
santigua glorias y penas,
aqui se encajo mi canto
como dijera Violeta
guitarra trabajadora
con olor a primavera.

Que no es guitarra de ricos
ni cosa que se parezca
mi canto es de los andamios
para alcanzar las estrellas,
que el canto tiene sentido
cuando palpita en las venas
del que morira cantando
las verdades verdaderas,
no las lisonjas fugaces
ni las famas extranjeras
sino el canto de una alondra
hasta el fondo de la tierra.

Ahi donde llega todo
y donde todo comienza
canto que ha sido valiente
siempre sera cancion nueva.

Ska anti-militarista

terça-feira, 14 de junho de 2011

terça-feira, 31 de maio de 2011

Canção do desporto (para debate)

Para discutir: música, cinema e desporto como armas para o combate político revolucionário e para a tomada de consciência do poder dos trabalhadores.
A música é de Hanns Eisler, o argumento do filme (Kuhle Wampe, de 1932) é de Bertold Brecht, a realização do filme é colectiva mas dirigida por Slatan Dudow.

Brecht cantando



Music: Kurt Weill
Lyrics: Bertolt Brecht

Sung by Bertolt Brecht

Der Mensch lebt durch den Kopf
der Kopf reicht ihm nicht aus
versuch es nur; von deinem Kopf
lebt höchstens eine Laus.
Denn für dieses Leben
ist der Mensch nicht schlau genug
niemals merkt er eben
jeden Lug und Trug.

Ja; mach nur einen Plan
sei nur ein großes Licht!
Und mach dann noch´nen zweiten Plan
gehn tun sie beide nicht.
Denn für dieses Leben
ist der Mensch nicht schlecht genug:
doch sein höch´res Streben
ist ein schöner Zug.

Ja; renn nur nach dem Glück
doch renne nicht zu sehr!
Denn alle rennen nach dem Glück
Das Glück rennt hinterher.
Denn für dieses Leben
ist der Mensch nicht anspruchslos genug
drum ist all sein Streben
nur ein Selbstbetrug.

Der Mensch ist gar nicht gut
drum hau ihn auf den Hut
hast du ihn auf den Hut gehaut
dann wird er vielleicht gut.
Denn für dieses Leben
ist der Mensch nicht gut genug
darum haut ihn eben
ruhig auf den Hut.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

a raiva do povo

Jenny Pirata

Uma canção perturbante e violenta cantada por Lotte Lenya, no filme de Pabst.
Letra de Bertold Brecht. Música de Kurt Weill.

terça-feira, 24 de maio de 2011

democracia real mayo 2011

imagens e sons do movimento 15 de Maio em Espanha:




em Barcelona:


em Londres:


em Lisboa:






em Amsterdão:


em Milão:


em Roma:


em Paris:

domingo, 22 de maio de 2011

a ópera já foi revolucionária



Act 1 - Scene 9

GEFANGENEN
O, welche Lust!
in freier Luft den Atem
leicht zu heben, O, welche Lust!
nur hier, nur hier ist Leben,
der Kerker eine Gruft, eine Gruft!

ERSTER GEFANGENE
Wir wollen mit Vertrauen
auf Gottes Hülfe,
auf Gottes Hülfe bauen,
die Hoffnung flüstert sanft mir zu,
wir werden frei, wir finden Ruh,
wir finden Ruh'.

GEFANGENEN
O Himmel Rettung,
welch ein Glück,
o Freiheit, o Freiheit,
kehrst du zurück?

ZWEITE GEFANGENE
Sprecht leise, haltet euch zurück,
wir sind belauscht mir
Ohr und Blick.

GEFANGENEN
Sprecht leise, haltet euch zurück,
wir sind belauscht mir
Ohr und Blick.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

cultura e civilização

Gal Costa fez coisas assim em 1969. A canção é de Gilberto Gil.
Não é preciso agora outra vez alguma desta força e desta liberdade?
Contanto que me deixem ficar com a minha vida na mão.


A cultura, a civilização
Elas que se danem
Ou não
Somente me interessam
Contanto que me deixem meu licor de jenipapo
O papo
Das noites de São João
Somente me interessam
Contanto que me deixem meu cabelo belo
Meu cabelo belo
Como a juba de um leão
Contanto que me deixem
Ficar na minha
Contanto que me deixem
Ficar com minha vida na mão
Minha vida na mão
Minha vida
A cultura, a civilização
Elas que se danem
Ou não
Eu gosto mesmo
É de comer com coentro
Eu gosto mesmo
É de ficar por dentro
Como eu estive algum tempo
Na barriga de Claudina
Uma velha baiana
Cem por cento

a propósito de elis

"Neste país, só há duas que cantam: Gal e eu." (refere-se a Gal Costa)

Algumas pistas para investigar:

Elis Regina criticou muitas vezes a ditadura brasileira, nos difíceis "anos de chumbo", quando muitos músicos foram perseguidos e exilados. A crítica tornava-se pública por meio de declarações ou nas canções que interpretava. Em entrevista, no ano de 1969, teria afirmado que o Brasil era governado por gorilas.

Sempre engajada politicamente, Elis participou de uma série de movimentos de renovação política e cultural brasileira, com voz ativa da campanha pela Anistia de exilados brasileiros. O despertar de uma postura artística engajada e com excelente repercussão acompanharia toda a carreira, sendo enfatizada por interpretações consagradas de O bêbado e a equilibrista (João Bosco e Aldir Blanc), a qual vibrava como o hino da anistia. A canção coroou a volta de personalidades brasileiras do exílio, a partir de 1979. Um deles, citado na canção, era o irmão do Henfil, o Betinho, importante sociólogo brasileiro. Filiou-se no PT em 1981, um ano antes de morrer, aos 36 anos de idade.

Antes, terá dito:
"Me tomam por quem? Um imbecil? Sou algo que se molda do jeitinho que se quer? Isso é o que todos queriam, na realidade. Mas não vão conseguir, porque quando descobrirem que estou verde já estarei amarela. Eu sou do contra. Sou a Elis Regina do Carvalho Costa que poucas pessoas vão morrer conhecendo".

E aqui fica uma bela canção, muito bem cantada e tocada:

alô, alô, marciano



Composição : Rita Lee/Roberto de Carvalho

Alô, alô, marciano
Aqui quem fala é da Terra
Pra variar estamos em guerra
Você não imagina a loucura
O ser humano tá na maior fissura porque
Tá cada vez mais down o high society
Down, down, down
O high society

Alô, alô, marciano
A crise tá virando zona
Cada um por si todo mundo na lona
E lá se foi a mordomia
Tem muito rei aí pedindo alforria porque
Tá cada vez mais down o high society
Down, down, down
O high society

Alô, alô, marciano
A coisa tá ficando russa
Muita patrulha, muita bagunça
O muro começou a pichar
Tem sempre um aiatolá pra atola Alá
Tá cada vez mais down o high society
Down, down, down
O high society

Alô, alô, marciano
Aqui quem fala é da Terra
Pra variar estamos em guerra
Você não imagina a loucura
O ser humano tá na maior fissura porque
Tá cada vez mais down o high society
Down, down, down
O high society